Espiritismo

O Espiritismo adota uma Filosofia espiritualista. Quando Allan Kardec codificou a Doutrina Espírita, houve por bem criar os vocábulos Espiritismo, para designar a doutrina propriamente dita, e espírita ou espiritista, para identificar os adeptos do Espiritismo. Afirmou, então, o Codificador que para designar coisas novas é imprescindível criar termos novos, pois assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos da mesma palavra. Numerosas religiões tradicionais são alicerçadas no Espiritualismo, porém o Espiritismo difere da grande maioria delas porque consagra princípios que elas repelem, por conflitarem com seus dogmas, principalmente a Reencarnação, a Pluralidade dos Mundos Habitados e a Doutrina das Penas Eternas. Quem quer que acredite haver em si algo mais que a matéria é Espiritualista, uma vez que o Espiritualismo é o oposto do Materialismo. O Espiritismo é Filosofia, Ciência e Religião e. como tal, ele não veio para destruir ou combater as demais religiões, mas sim para ajuda-las na comprovação da imortalidade da alma.

Os princípios básicos da Doutrina Espírita são: A existência de Deus; A pluralidade das existências; A preexistência e persistência eterna do Espírito; A intercomunicação entre encarnados e desencarnados; Recompensas e penas como conseqüência natural dos atos praticados; Progresso infinito, comunicação universal entre os seres.
Os nomes Espiritismo e Espírita têm sido indevidamente usados por outros agrupamentos espiritualistas, autênticos movimentos paralelos. Aqui cumpre esclarecer que a doutrina Espírita é fundamentalmente diferente de qualquer outra ramificação religiosa, pois é uma doutrina religiosa sem dogmas propriamente ditos, sem liturgia, sem símbolos, sem sacerdócio organizado. Ao contrário de quase todas as demais religiões, não adota em suas reuniões e em suas práticas.

Paramentos ou quaisquer vestes especiais; Bebidas alcoólicas, chás, beberagens quaisquer; Incenso, mirra, fumo, ou substâncias outras que produzam fumaça; Altares, imagens, andores, velas e quaisquer objetos materiais como auxiliares; Hinos ou cantos em línguas mortas ou exóticas; Danças, procissões ou atos análogos; Pagamentos por toda e qualquer graça conseguida para o próximo; Pagamento de dízimo; Talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos ou quaisquer objetos e coisas supostamente portadoras de poderes; Atender a interesses materiais, terra a terra, rasteiros ou mundanos; Administração de sacramentos, concessões de indulgências, distribuição de títulos hierárquicos ou nobiliárquicos; Confeccionar horóscopos, exercer a cartomancia, a quiromancia, a astromancia afins; Rituais e encenações extravagantes, de modo a impressionar o público; Termos exóticos ou heteróclitos para a designação de seres ou coisas; Fazer promessas e despachos, riscar cruzes e pontos, praticar, enfim, a longa série de atos materiais, oriundos das velhas e primitivas concepções religiosas.

Com base, pois, no que foi descrito e no quadro apresentado, chega-se à conclusão de que todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem todos os espiritualistas são espíritas. Às vezes, uma explicação como esta basta para esclarecer dúvidas, porém sabemos que, para algumas pessoas que não têm olhos de ver, a diferença persistirá porque assim decidiram. Que Deus nos proteja, agora e para sempre.